Doação de sangue: como funciona, e como fazê-la em tempos de coronavírus?

Mesmo em época de pandemia, algumas coisas não podem parar. Afinal, se todas as pessoas parassem de adoecer/sofrer acidentes enquanto o novo coronavírus circula por aí, muitos de nossos problemas estariam resolvidos.

Pensando nisso, resolvemos separar o artigo de hoje para um tema importantíssimo que é a doação de sangue. Continue conosco para saber absolutamente TUDO sobre esse procedimento e, claro, como lidar com ele durante a quarentena. Vamos lá?

Primeiramente, um breve bate-papo sobre o sangue

O sangue é essencial para a nossa vida. Ele circula por todo o corpo e fornece substâncias (como oxigênio e nutrientes, por exemplo) para todas as células do organismo.

 

Sua parte fluida, conhecida como plasma, é formada por água, vitaminas, sais minerais e fatores de coagulação. Já sua parte sólida é composta por:

 

  • hemácias (contêm hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para o restante do corpo, e pela sua cor vermelha característica);
  • leucócitos (são os famosos glóbulos brancos, uma parte essencial do nosso sistema imunológico);
  • plaquetas (são pequenas células que ajudam no processo de coagulação do sangue).

E por que doar sangue é importante?

A doação salva vidas, pois não é possível fabricar o sangue fora do corpo humano e não existe um substituto para ele. Então, para que uma pessoa em situação de risco tenha uma quantidade de sangue suficiente para fazer todo o seu organismo funcionar corretamente, ela precisa recebê-lo de outra pessoa.

Tipos sanguíneos + quem doa para quem?

Existem 4 grupos sanguíneos principais (tipos A, B, AB e O) e 8 subgrupos (determinados pelo fator RhD positivo ou negativo).

O grupo sanguíneo de cada um de nós é determinado pelos genes que herdamos de nossos pais e, dependendo do tipo e fator RH, não é possível doar e nem receber sangue de/para qualquer pessoa.

Pode doar para:

Pode receber doação de:

Sangue tipo A+

AB+ e A+

A+, A-, O+ e O-

Sangue tipo A-

A+, A-, AB+ e AB-

A- e O-

Sangue tipo B+

B+ e AB+

B+, B-, O+ e O-

Sangue tipo B-

B+, B-, AB+ e AB-

B- e O-

Sangue tipo AB+

AB+

A+, B+, O+, AB+, A-, B-, O- e AB- (todos)

Sangue tipo AB-

AB+ e AB-

A-, B-, O- e AB-

Sangue tipo O+

A+, B+, O+ e AB+

O+ e O-

Sangue tipo O-

A+, B+, O+, AB+, A-, B-, O- e AB- (todos)

O-

Como a doação de sangue funciona?

O primeiro passo para doar sangue é procurar por uma unidade de coleta na sua cidade. A doação pode ser feita por meio de campanhas, caravanas ou hemocentros. Para os últimos, existe uma lista com todos os disponíveis pelo Brasil. Acesse-a clicando aqui.

Depois de ter escolhido o local, chegou a hora de se preparar para o procedimento. As orientações do Ministério da Saúde são:

  • estar devidamente alimentado e, caso o procedimento aconteça depois do almoço, aguarde pelo menos 2 horas até se dirigir ao hemocentro;
  • evitar comer alimentos gordurosos durante as 4 horas antecedentes à doação (se a refeição for MUITO pesada e gordurosa, é melhor aguardar até o dia seguinte para doar);
  • ter dormido por, pelo menos, 6 horas nas últimas 24 horas anteriores ao procedimento;
  • ingerir bastante líquido antes e após a doação;
  • confira se você está apto(a) a doar sangue antes de ir até o hemocentro.

Quem pode doar sangue?

  • Pessoas entre 16 e 69 anos que estejam pesando mais de 50 kg (no caso do menor de idade, é preciso consentimento formal dos pais ou responsáveis – geralmente, a instituição que vai coletar o sangue disponibiliza um modelo pronto para ser preenchido);
  • pessoas de 60 a 69 anos que já doaram sangue antes dos 60;
  • homens que ainda não completaram o limite máximo de quatro doações por ano;
  • mulheres que ainda não completaram o limite máximo de três doações por ano;
  • quem não doou sangue nos últimos dois meses (no caso dos homens) e três meses (no caso das mulheres).

Quem não pode doar sangue?

Essa categoria pode ser dividida, na verdade, por duas: impedimento temporário ou definitivo. Vamos por partes:

Impedimentos temporários

  • Estar gripado, resfriado, com febre ou diarreia (para doar, é preciso esperar por pelo menos uma semana após o desaparecimento dos sintomas);
  • estar grávida;
  • ter passado por um parto normal nos últimos 90 dias;
  • ter passado por uma cesariana nos últimos 180 dias;
  • estar amamentando (esperar completar 12 meses após o parto para doar);
  • ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas antecedentes à doação;
  • ter feito alguma tatuagem e/ou piercing nos últimos 12 meses;
  • ter passado por uma extração dentária (esperar 72 horas após o procedimento para doar);
  • ter sofrido de amigdalectomia, apendicite ou hérnia nos últimos 3 meses;
  • ter algum tipo leve de alergia (aguardar até o fim do tratamento);
  • ter passado por politraumatismos (sem sequelas graves), histerectomia, redução de fraturas, colectomia, tireoidectomia, nefrectomia e colecistectomia nos últimos 6 meses;
  • ter recebido transfusão de sangue (esperar por pelo menos 1 ano após o procedimento);
  • em caso de vacinas, o tempo de impedimento varia de acordo com cada situação, então não deixe de ligar para o hemocentro para tirar suas dúvidas quanto a isso;
  • ter se submetido a procedimentos/exames que usam o endoscópio (esperar 6 meses para poder doar);
  • ter se exposto a uma situação de risco para DST’s – doenças sexualmente transmissíveis – no último ano.

Impedimentos definitivos

  • Ter sofrido de hepatite após os 11 anos;
  • portar uma ou mais das seguintes DST’s: HIV/AIDS, doenças associadas aos vírus HTLV I e II, hepatite B e C, doença de chagas;
  • ter um histórico de anafilaxia por alergia;
  • ter alergia à esterilização com óxido de etileno;
  • sofrer ou já ter sofrido de malária;
  • usar ou já ter usado drogas ilícitas injetáveis.

 

Importante: para saber todos os detalhes sobre essas e outras recomendações sobre a doação de sangue, clique aqui.

 

A doação

Tudo o que você precisa para doar, à priori, é de um documento oficial com foto (e, no caso do menor de idade, uma autorização formal dos pais/responsáveis). Geralmente, é possível destinar a doação a uma pessoa específica (dando o nome dela durante o processo de triagem), ou ao banco de sangue geral.

 

Antes do procedimento em si, o doador passa por uma seleção rigorosa e necessária para que tudo seja feito dentro dos conformes. As informações prestadas, assim como o diálogo com o médico, ficam em sigilo, então não se preocupe.

A doação, em si, dura poucos minutos e são coletados, em média, 450 ml de sangue por pessoa. Aliás, quanto a isso, pode ficar tranquilo. O corpo, nas próximas horas após a doação, vai repor essa quantidade.

Orientações para o pós-doação

  • Se você estiver de carro, espere por, pelo menos, uma hora para voltar a dirigir;
  • não fume pelas próximas duas horas após a doação;
  • evite carregar peso com o braço utilizado para a doação;
  • evite fazer exercícios físicos mais pesados durante as 12 horas após o procedimento (incluindo faxinas domésticas).

 

Atenção: se após a doação você sentir quaisquer sinais e sintomas que indiquem uma infecção (como diarreia, calafrios, febre, manchas etc), entre em contato com o hemocentro imediatamente.

 

Dúvidas frequentes sobre a doação de sangue:

Não, muito pelo contrário. Para doar sangue, é preciso estar devidamente alimentado, descansado e em plenas condições de saúde!

Sim. A não ser que a mulher esteja passando por uma menstruação hemorrágica, não há contra-indicações para doar sangue durante esse período.

Para todas essas dúvidas, a resposta é somente uma: não.

Não. Desde que você se encaixe em todos os pré-requisitos, é possível doar somente quando lhe der vontade. Além disso, esse procedimento não cria nenhum tipo de dependência em nosso organismo.

Depende. Cada caso será analisado com muito cuidado durante a triagem. Por isso, o melhor a se fazer é ligar antes para o hemocentro e tirar todas as suas dúvidas sobre isso.

Não, nenhum. A regra, para todas as instituições de doação regularizadas, é realizar o procedimento com materiais descartáveis e de uso único.

Sim. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 8 de maio de 2020, que a restrição de doação de sangue aos homossexuais, mulheres trans e bissexuais é inconstitucional.

E, por fim, como doar sangue em tempos de COVID-19?

Em março deste ano, o Ministério da Saúde e a Anvisa atualizaram alguns critérios de seleção para a doação de sangue. São eles:

 

  • se a pessoa tiver voltado de uma viagem em que o local tenha registrado transmissão local e casos confirmados de COVID-19, ela deve esperar por, pelo menos, 14 dias após o seu retorno para doar sangue;
  • pacientes que receberam o diagnóstico clínico ou laboratorial positivo para o novo coronavírus estão inaptas a doar por, pelo menos, 30 dias após a sua completa recuperação;
  • pessoas que estiveram próximas a pacientes diagnosticados com COVID-19 estão inaptas a doar por, pelo menos, 14 dias após o último contato com o infectado;
  • pessoas que se mantiveram isoladas por vontade própria, ou orientação médica devido a possíveis sintomas do COVID-19, só poderão doar sangue após permanecerem nessa reclusão por 14 dias.

O que fazer para doar sangue em segurança?

O doador, assim como a equipe de coleta de sangue, deve realizar todas as medidas preventivas contra o novo coronavírus. Ou seja:

 

  • usar máscara durante o trajeto até o hemocentro;
  • evitar colocar as mãos no rosto enquanto estiver fora de casa;
  • passar antisséptico nas mãos e antebraço antes de entrar no estabelecimento;
  • evitar contato físico com qualquer pessoa que não esteja de luvas e materiais de proteção durante todo o processo;
  • agendar a doação para evitar aglomerações.

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